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CELSO
E O CIRCO
Celso
Pereira é um fotógrafo competente. Conhece de foco, luz
e enquadramento. Domina a técnica da apreensão da imagem,
sabe usar lentes e filtros e captar a essência do momento. Mas o
que ele tem feito nos últimos 20 anos é muito mais do que
isso. Celso é o responsável pela cara do circo contemporâneo
do Brasil.
Começou
fotografando um espetáculo da Escola Nacional de Circo e quando
se deu conta era parte de um movimento que estava mudando a história
das artes brasileiras. Mais do que um fotógrafo competente e antenado,
virou parceiro, testemunha e cúmplice. Celso viu a Intrépida
Trupe dar seus primeiros passos e mudar o rumo do circo brasileiro. Viu
o Teatro de Anônimo se encontrar no circo e armar um festival de
anjos de todas as tribos e nações. Viu e fotografou para
que outros tantos pudessem, através do seu clique, conhecer e perceber
a magia daqueles momentos.
Celso
Pereira foi convidado para participar de todas as edições
dos Anjos do Picadeiro porque é um fotógrafo que domina
a técnica e tem sensibilidade. Mas não só por isso.
Celso conhece seus personagens, admira-os e sabe como retratá-los
no seu melhor, como apreender e revelar a essência dos seus talentos.
Quando fotografou Nani Colombaioni em dezembro de 1998 no Anjos do Picadeiro
2, Celso sabia o que estava fazendo. Sabia que aquele velho palhaço
revelava para toda uma geração a magia de séculos
da mais nobre tradição da arte da bobagem. Só porque
sabia pode fazer a foto em que Nani assiste Xuxu tocando concertina. Uma
imagem que diz tudo sobre aqueles dias mágicos em São José
do Rio Preto quando um bando de jovens artistas de todos os cantos do
Brasil descobriram que muito mais do que fazer oficinas e workshops era
preciso ver e rever a tradição, babar e reverenciar a sabedoria
dos Mestres e aprender com eles, rindo.
Celso
fotografou Tortel Poltrona, Leo Bassi, Leris Colombaioni, Moshe Cohen,
Seres de Luz, Parlapatões, Chacovachi, Angela de Castro, As Marias
da Graça, Kuxixo, Irmãos Brothers, Gigantes da Lira, Lume,
Tchesco, Doutores da Alegria, Geraldin Miranda, todas as edições
do Anjos do Picadeiro, os carnavais do Cordão do Boi Tatá,
os eventos da Intrépida Trupe, a Carroça de Mamulengos,
espetáculos da Escola Nacional de Circo, o Território Cultural
do Teatro de Anônimo, os Valdevinos e tudo o mais que vem acontecendo
nos últimos anos no circo e no teatro no Rio de Janeiro, em Belo
Horizonte e São Paulo. Seu acervo conta a história do circo
contemporâneo e documenta o que de melhor tem acontecido com o circo
tradicional nos últimos anos.
O
acervo de Celso Pereira revela a imensa diversidade e toda a potência
criativa do circo brasileiro nos últimos anos. Merece ser preservado,
exposto e admirado.
Alice
Viveiros de Castro
Pesquisadora, Representante do Circo no Conselho Nacional de Política
Cultural, autora do livro O Elogio da Bobagem - palhaços do Brasil
e do mundo.
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